E quanto a mim?
Jul. 29th, 2008 | 01:03 am
Eu voltei.
Eu mudei.
Eu não mudei.
Eu estou bem.
Eu não estou bem.
Eu aprendi a amar.
Eu nunca esquecerei como amar.
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Big Brother Barraco
Apr. 3rd, 2007 | 07:15 pm
Confesso que quem mora no meu prédio não vai sentir muita falta do BBB, porque o prédio da frente fornece tanto material voyerista (neologismo na área!) que a Globo poderia fazer uma edição de um ano do programa. Seria o BBB: Big Brother Barraco. Prometemos diversão 24 horas por dia, sete dias por semana! Bom, sem mais delongas, vou contar dos tipos que moram lá.
Primeiro, tem um homem idoso que mora sozinho. Todo dia de manhã, quando eu acordo, lá pelas seis da manhã, ele já está acordado. O que me deixa com muita raiva, porque se ele aparentemente não trabalha nem nada, porque ele tem de acordar TÃO CEDO? Todo dia ele acorda, abre a janela, põe os travesseiros no parapeito da janela (sabe-se lá Deus porque), põe-se a rezar num altarzinho que ele tem no quarto...E é praticamente isso que eu sei dele, porque quando eu saio de casa, ele ainda está lá, sentado na cama. À noite, quando eu volto para casa, ele está lá, vendo TV, geralmente assistindo a um canal aberto. Às vezes eu o vejo limpando a casa, pendurando roupa ou algo do gênero. Mas o senhorzinho vai dormir bem tarde, porque quando eu apago a luz pra dormir, geralmente depois do LOST, ele ainda está lá, firme e forte no SBT! Um dia eu gostaria de pedir a ele que acordasse mais tarde...A disposição dele me irrita profundamente! Porque eu, em plena juventude, arrasto-me da cama todos os dias.
Abaixo do senhorzinho vive um casal. O marido tem tara por televisão, simplesmente não é possível! Todo dia, lá pelas seis horas, eu o vejo sentado vidrado frente à TV; isso quando ele não dorme na sala mesmo (isso é uma suposição minha, dado o estado do homem frente à TV). Acho que ele age dessa forma porque ele deve ter comprado recentemente a televisão dele, que por sinal é muito legal, é daquelas de plasma, que se põe na parede, aquelas que todo mundo gostaria de ter. A televisão dele é tão legal que nas raras vezes em que ela não está ligada, de frente ao seu dono, ela exibe uma proteção de tela que parece um quadro, é o máximo. A esposa aderiu à tara do marido... Progressivamente, ela tem passado mais tempo à frente da TV, junto a ele. Acho que isso aconteceu porque a televisão é nova, e ela tem todo o direito de ser seduzida pela TV nova, não é mesmo? Porém, ultimamente andei observando que os dois não se sentam mais frente à TV; de fato, eles NÃO sentam mais de frente à TV. Acho que eles devem ter morrido, ou algo assim, entende? Morreram de tanto assistir à televisão...Se bem que só vou saber quando o cheiro começar a bater na minha cozinha e ficar insuportável. Aí sim eu serei a primeira a chamar o resgate, porque eu vou entrar no apartamento e surrupiar a televisão. É acho que aquela TV está me seduzindo também...
No apartamento ao lado dos tarados por televisão, mora uma mulher tarada por completa. Ela mete medo em mim...O quarto dela é recheado de fantasias, muito estranho; é forrado de plumas, paetês, brilhos e afins. Ela deve ser dançarina ou alguma coisa desse tipo, ou então deve ser uma tara por fantasias! Juro que nunca tinha visto coisa igual... O resto do apartamento dela é bem sem graça e vazio, mas também, acho que nunca prestei atenção direito no resto do apartamento, porque quando olho naquela direção, é aquela ècharpe de plumas rosas que vejo. Confesso que não é uma visão muito agradável, ainda mais se você olha para lá após ter comido um iogurte cujo sabor não foi uma escolha acertada...Outra visão que me desagradou bastante foi o dia em que eu a vi andando só de calcinha e sutiã (pretos, por sinal) pelo quarto. Sei que é direito dela à privacidade, mas já que a prefeitura da cidade deu um jeito proibindo outdoors e coisas do gênero, podia também dar um jeito nisso, ou seja, nessas cenas impróprias e escabrosas que visualmente poluem a vida dos cidadãos. Ultimamente tenho percebido que o volume de fantasias tem diminuído no quarto...Acho que ela está encaixotando as coisas para se mudar! Melhor para mim, pois agora vou poder passar menos mal com o iogurte de sabor enjoativo...
No apartamento do canto, no mesmo andar do senhorzinho, vive, ou melhor, para a minha infelicidade, VIVIA (atenção ao tempo verbal!) uma observação agradável, um colírio aos olhos... (nossa, que piegas!). Ali vivia um casal jovem, o apartamento deles nem tinha muita coisa, aliás, a única coisa que eu lembro que tinha era um colchão no chão do quarto...Não, infelizmente/felizmente eu não vi nada de pornográfico acontecendo ali. A única coisa mais interessante que eu vi foi o rapaz, que nada deixava a desejar ao Alemão do BBB da Globo, andando pelo apartamento de cueca. Juro, fiquei abestada (neologismo?) com a imagem, foi de tirar o fôlego...Mas foi só também.
Bom, aqui encerro minha transmissão, porque agora eu vou para casa, assistir ao BBB genérico até a hora de ver a final do BBB original. E então encerrarei minha cota de mediocridade anual.
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A falta que vocês me fazem
Mar. 14th, 2007 | 07:03 pm
Hoje o dia começou melancólico. Desculpe iniciar o post dessa maneira, eu percebo que tenho tendência a escrever sobre ou assuntos que, na minha concepção, sou autoridade máxima, ou a escrever sobre uma parte deprimente do meu cotidiano. Juro que gostaria de que meu blog fosse como o do Paolo, para que você ficasse muito contente com as coisas que lesse, mas não consigo. Por isso recomendo que vocês leiam o blog dele, quando quiserem dar muita risada.
Bem, continuando... O dia começou infeliz, porque essa noite sonhei que estava reunida com meus amigos e, quando acordei, obviamente já não estava mais com eles. Sinto muita falta dos amigos que, devido a toda essa mudança maluca em nossas vidas, já não vejo com tanta freqüencia. Por isso fiquei muito triste, já que recordei o quão bem a companhia deles me fazia. Não quero desvalorizar os novos amigos que fiz, mas é que essa mudança tem sido muito difícil sem a presença constante de meus velhos amigos. Acho que uma forma de me sentir menos triste é celebrar nossa amizade - eu penso neles todos os dias - e relembrar todas as coisas boas, muito boas e excelentes que fizemos. Então, sem mais demora, darei nome aos bois...
Fábio, eu sinto falta de discutir com você todo tipo de assunto, o que resultava sempre em conclusões do tipo "Quando estivermos no poder, não vai ser assim!". Sinto falta de conversar com você sobre as inquietações românticas; e daqueles dias em que você tinha que me aguentar falando sobre os homens e me ajudava a enviar mensagens de texto. Sinto falta da arma de alface, de "DAR", do mensalão, da decolagem do foguete (lembra dessa?), enfim, de todas essas coisas. E ah, claro, das sextas-feiras matando aulas à noite para ir tomar café! Bom, devo dizer que agora já não sei mais como vou fazer prova, porque eu só consigo fazer prova quando o Fábio está sentado na minha frente...Sabe como é...Sempre dá mais segurança! E eu tenho a certeza de que reviveremos os nossos bons tempos, porque pode não ser "nóis na USP", mas com certeza será "nóis no poder!!". Ah, Fábio, só peço a você que tome cuidado com a sua sedução, porque o sedutômetro não está mais perto de você, assim você pode acabar exagerando no nível de sedução e provocar danos muito sérios às pobres paranaenses.
Fifi, ops, Niitsu, eu sinto uma falta terrível do seu descompensamento mental e dos seus ataques efeminados de histeria. Sinto falta também de quando você me ajudava nas lições de cálculo, quer dizer, com sua letra, eu não entendia nada, é claro. Sinto falta de falar com você sobre alisamento artificial e Colcci. Sinto falta de você enchendo o saco de todo mundo falando da mulher da sua vida da semana (principalmente da DELÍCIA) e também da sua "DEDUZÃO". Eu também sinto falta de, junto com o Harry, te "molestar", abusar da sua pessoa, puxar seu cabelo, arrancar os pêlos do seu braço, bater em você e de te abraçar. Ah, não posso esquecer de quantas pontas de lápis você já enfiou nos livros, de quantos rabiscos você fez nos cadernos alheios (e no seu próprio), de quantos cabelos você já arrancou da cabeça. Também gostaria de pedir desculpas por todas as vezes que eu escondi seu material ou passei sua carteira para o outro canto da sala. Atualmente eu sinto falta de andar no FIFI-MÓVEL (mas acho que você pode dar um jeito nisso, né?).
Larissa, eu sinto falta da sua loirice. PONTO FINAL. Porque você faz e diz as coisas mais absurdas, e eu sempre passo a mão na sua cabeça e digo "é loira mesmo!", só que no fundo eu me divirto muito com as suas loirices. Mas falando sério, eu sinto falta das nossas longas conversas a respeito de tudo e de todos, e das nossas revelações mais chocantes, da nossas rede de "informação sobre a vida alheia" . Sinto falta também de gritar no telefone com você, de te dar bronca, dizendo pra você levantar sua bunda da cadeira e sair conosco. Porque você está sempre indisposta, não é? Mas é claro que a Silvinha é sempre sua santa cura...hahaha...Ah, e eu não posso me esquecer de que você é nossa MAMÃE querida! Sinto sua falta, linda, loira, flor!
Marianna, sua depravada e pervertida! Sinto falta de todos os assuntos idiotas (mas que no fundo são muito importantes para a construção do ser humano...) que costumam aparecer em nossas conversas. Porque você é a única que dá valor ao meu lado Coelhinha, e até o incentiva! (Depravada...). É impossível enumerar aqui todos os nossos assuntos, que vão desde o sutiã da Playboy na C&A até nossas grandes dúvidas existenciais (e dúvidas depravadas também). Saiba que você é a única que "me deixa feliz" e que selaremos nosso matrimônio em Ilhabela...Com nossos engenheiros ou médicos gostosos, é claro. E espero que nossa excursão caça-marido ainda esteja em pé! Porque eu tô te esperando, sempre!
Harry...ai, Harry...POR ONDE EU COMEÇO? Nossa amizade (melhor, fraternidade!) não tem começo, nem meio, nem fim. Só posso dizer que o Harry é a minha versão de cueca. Por aí você tem uma idéia do caos generalizado que se dá quando os dois se unem. Seria necessário um livro pra enumerar todas as coisas absurdas que já fizemos. Por isso, vou citar algumas...Bilauba Hotel, mendigo versus kill bill, zoar a mãe dos outros, cheirar giz, andar de vassoura, lutar na areia, fumar o Fábio, cantar Suck My Kiss, Another Brick in the Wall, Because I got High, zoar os professores todos, inventando apelidos para eles, molestar o Niitsu, entrar nos banheiros masculinos E femininos, falar coisas obscenas e tentar fazê-las, os PERDIGOTOS, "Oooooi Larissaaaa...", tocar bateria imaginária, batucando nas carteiras e nos amigos, zoar-se mutuamente, formar o UNODUTO e corromper todos os outros jogadores; enfim, são muitas as coisas! Harry, meu irmão, bobão, babão, mendigo tarado, embora você não tenha talento pra fazer nada além de tocar bateria (é aí que eu diria "Zueeeeeeera!", né...), eu desejo a você todo o sucesso do mundo! E que fumemos o Fábio e recebamos a glória eterna no final!
Renato, meu grande irmãozinho! Nunca imaginei, naquele dia em que nos conhecemos, quando eu estava totalmente sem dinheiro (pra variar...), que seríamos amigos dessa forma. Embora a gente se veja quase nunca, para mim a sua amizade é tão forte quanto a de qualquer outro amigo querido, afinal, nós nos falávamos quase todos os dias! Agora que estamos ainda mais longe que o usual, eu sinto muita falta de falar com você. Porque eu adorava os temas das nossas conversas! Elas sempre giravam em torno de como gostaríamos de ser mafiosos, de que a melhor filosofia de vida é a do Jack Johnson, de que tudo seria melhor resolvido se resolvido na pancadaria ou por intimidação (seu caso) e na "quebração de barraco" (meu caso). Sem dúvida os melhores momentos eram aqueles em que narrávamos nossas odisséias de fim de semana nas baladas, micaretas e afins, sempre acrescentando o grau (muito importante) e o placar (mais importante ainda). Mas a minha parte predileta mesmo era de quando falávamos mal de todos/as os/as LOSERS (me entendeu, né?), ressaltando o quanto somos superiores, mas sem deixar espaço para arrependimento, afinal, placar é placar. Não posso me esquecer da sua vinda a Limeiracity! Aqueles dias foram muito INSANOS! Sempre tenho a esperança que voltaremos a visitar o ALL YOU CAN DRINK - Orange Juice, porque dessa vez cumpriremos a promessa! Só espero que você não se esqueça do nosso trato de interesses, que é muito importante, já que já consigo ver umas linhas na minha testa. E espero que, a vida dando certo ou errado, nós montemos aquele barzinho na praia pra representar, e, quem sabe, viver jackjohnsoniamente. (Ah, e é "P.V.M.P.B...C!" no poder!)
Bom, amigos, agora eu estou um pouco mais feliz ao lembrar de vocês, celebrando nossa amizade.
Porque é só isso que eu ando fazendo: lembrando de vocês. Minha única esperança é a de que pelo menos por três ou quatro segundos, nem isso, vocês se lembrem de mim, porque, para mim, o esquecimento seria a tristeza máxima.
Sempre tento encaixar vocês no meu cotidiano, sempre penso no que vocês fariam se estivessem comigo em determinada situação, e assim me sinto menos sozinha.
E, se eu pudesse, hoje eu teria continuado a dormir por mais um tempo.
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Bush in Brazil
Mar. 8th, 2007 | 05:03 pm
Falta cerca de uma hora para o presidente George W. Bush aterrissar aqui em São Paulo.
A atmosfera na cidade é de como se todos nós estivéssemos vivendo a História, ou melhor, assistindo à História "in the making" (vários termos em inglês serão usados nesse post).
É claro que a maioria das pessoas está incomodada com a vinda do presidente americano ao Brasil, e na verdade elas querem mais é enxotá-lo daqui do que recebê-lo de braços abertos. O que não deixa de ser justificável, já que ele está longe de ser o "America's sweetheart". Acho que é isso que acontece quando se sacrifica a vida de milhares de soldados americanos numa guerra surreal, e quando se recusa a colaborar com o bem-estar do meio ambiente, num mundo em que o ambientalismo é a ordem do dia.
Aqui na Avenida Paulista, do alto do prédio, eu consigo ouvir os manifestantes gritando lá do MASP, estão explodindo rojões (ou seriam as bombas de gás lacrimogêni....AMIGOS! Desculpe interromper esse post mas acabo de sair correndo para olhar pela janela! Vou descrever a cena que acabei de presenciar da janela do vigésimo andar:
Uma das faixas da avenida Paulista está interditada e é ali que está ocorrendo o manifesto. A predominância de cor é vermelha. As explosões que eu ouvi eram na verdade bombas atiradas pela polícia, que tentava controlar a manifestação que já estava tomando proporções caóticas, atirando pedaços de pau e pedras na polícia. Um cenário catastrófico! Eu tirei umas fotos, e em breve elas estarão aqui (bem que eu gostaria de vendê-las para a Folha de São Paulo, mas como farei isso?). Então, os manifestantes começaram a correr em desespero, e a manifestação se espalhou. Porém, logo eles se reorganizaram e agora estão protestando diante dos olhos vigilantes do helicóptero da Polícia Militar e de dois agentes da CIA, que estão a observar os manifestantes, no topo de um edifício aqui ao lado.
Acho que essa experiência vai ilustrar bem os dois tópicos que eu gostaria de abordar, acerca da visita do presidente Bush ao Brasil. Não quero discutir a razão do encontro, nem as tantas coisas que nos serão subtraídas após esse encontro; quero discutir a falta de cortesia do povo brasileiro e como, de repente, temos estrutura para armar um esquema imenso de segurança.
Nessa semana, eu notei em vários muros a frase "Fora Bush!" pichada, ao longo do meu trajeto escolar. Em primeiro lugar, Bush não entende o sentido da palavra "fora"; em segundo lugar, Bush não deixaria de vir ao Brasil por algumas pichações; em terceiro lugar, esse tipo de protesto é ridículo e ainda por cima acaba com o patrimônio público, sujando a já tão suja São Paulo - será que quem pichou o muro vai limpá-lo após Bush ir embora?
Vi também a foto de um manifestante solitário, que segurava um cartaz escrito "Out Bush - Brazil not it's sale". Fiquei horrorizada: eu, seguidora fiel da boa gramática, quase chorei ao pensar "Meu caro, é 'Brazil's not for sale', e não 'Brazil not it's sale'!". Acredito que o presidente Bush - apesar de estar muito, muito, muito longe de ser o mais esclarecido dos homens - morreria de ler ao ver esse cartaz.
Esses tipos de manifestação são irrelevantes, meu amigo! Só serve para piorar nossa imagem de arruaceiros no exterior! Não estou dizendo que sou contra as manifestações, mas acho que elas deveriam ser feitas com mais classe. Por exemplo, não seria bonito ver o presidente Lula, após aguentar Bush impondo sua presença imperialista e suas propostas usurpadoras, dizer "Thank you, but no, thank you." !? Eu ficaria orgulhosíssima.
Outra coisa que me espanta é ver a magnitude do esquema de segurança que o governo brasileiro montou. Eu não sabia que as forças brasileiras possuíam essa força-tarefa. Cerca de cinco mil homens estarão à disposição do presidente americano, além de todas as Polícias, a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) e até o Exército! Tudo isso para proteger o americano das conseqüencias de sua guerra do terror.
Agora, eu me pergunto onde estavam esses cinco mil homens e todo esse sistema de segurança quando, em maio de 2006, a população do estado de São Paulo foi assolada por nossa própria versão de guerra do terror. Mas me parece que isso já é característico ao brasileiro, a versão distorcida do tal homo moralis, que deixa de dar para si a fim de dar aos outros, só que no caso do brasileiro, sacrifica-se para o pior.
Bem, agora voltarei a observar pela janela os líderes do manifestante perderem a voz, a polícia ficar irritadiça e o trânsito ficar cada vez mais caótico.
À essa altura, George W. Bush já deve estar aterrizando em Guarulhos, isso se nossa crise aérea permitir o pouso do Air Force One.
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Relato diário: perfeição assim não existe
Mar. 1st, 2007 | 07:08 pm
Nada como um bom retrato do cotidiano. O tópico desesperador dessa semana para mim foi o tal teste de classificação de Alemão. Porque a interiorana aqui foi pra capital, não é mesmo? E a interiorana precisa continuar suas atividades, ora essa!
Enfim, resolvi continuar os estudos numa escola de Alemão por aqui; só que para isso eu teria de fazer um teste para ver o meu na língua, para que eles pudessem me colocar na classe adequada. Bom, isso bastou para eu entrar em desespero! Quase fui até Limeira para que a minha professora me desse uma aula-revisão, mas circunstâncias me impediram de realizar o plano. Para encurtar a história, fui hoje (em pânico) fazer o tal teste, fiz e deu tudo certo, fiquei até contente comigo mesma.
O que eu realmente queria contar foi do "susto" que tomei enquanto estava na sala fazendo o teste. Antes de contar o que ocorreu, quero dizer que eu sou a maior fã de "A Bela e a Fera" de todos os tempos. Desde criança, identifico-me muito com o filme; amava a cena dela sentada na fonte, lendo para as ovelhinhas, e eu realmente achava que minha vida seria igual à dela (quer dizer, eu ainda acho isso). E não é que quando eu estou naquela sala, aparece um rapaz que era a Fera em pessoa!? Eu fiquei à beira de pular nele e dizer "eu te achei!"; desconcentrei-me totalmente do teste. Afinal, a Fera que fala alemão, que mais eu posso querer? Mas eu tenho certeza de que ele deve ser um horror de ser humano, porque perfeição assim não existe!
E esse foi o meu relato diário. (Ainda não desisti do sonho "A Bela e a Fera", viu?)
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Inversão universitária
Feb. 27th, 2007 | 02:44 pm
Resolvi tirar o pó e as teias de aranha do meu amado empreendimento. Não que eu tenha uma coisa importante em especial a tratar, ao contrário, tenho muitas coisas a dizer, mas nem todas são boas ou interessantes e as que são, estão na chocadeira e por lá permanecerão um pouco mais. Já faz tempo suficiente e eu poderia tratar de coisas como, por exemplo, minhas impressões sobre a faculdade de Direito, minha vida universitária (que não é lá tão interessante ou glamurosa quanto se pode pensar) e de meu novo objeto de "estudo": as milícias do Rio de Janeiro. Essa última deve render um post muito interessante, mas como disse, a idéia está na chocadeira.
Sei que você deve estar decepcionado comigo (pois eu estou!) porque achava que eu começaria a escrever posts maravilhosos assim que minhas aulas começassem. (É claro também que eu posso estar aqui me superestimando, e você não tem nenhum interesse em ler meus textos, nem perde o sono ansiando por eles. Mas é que ultimamente as pessoas têm me avisado que lêem meus textos e, apesar de não comentarem, gostam deles). Contudo, digo-lhe que ocorreu o processo contrário. Apesar das aulas de filosofia, sociologia, teoria do Estado e etc., fui tomada por uma apatia tremenda. É como se minha mente fosse incapaz de pensar criticamente e fazer análises; nesse ponto o último ano de colégio me foi muito gratificante. Talvez seja porque eu não entenda metade dos textos de 12 páginas que me mandam ler (estou presa num texto de Aristóteles que me faz desejar que o estagirita nunca tivesse nascido) nem goste das discussões e seminários em classe (sou um tipo napoleônico de trabalhador em grupo...) e muito menos das palestras ministradas na faculdade.
A sensação que tenho é de ser a personificação da "Smells like teen spirit" do Nirvana.
Se eu fosse professora, mandaria meus alunos estudarem Kurt Cobain ao invés de Aristóteles. Assim quem sabe ocorreria o fenômeno inverso: eu estaria usando a retórica com propriedade aristotélica, e você estaria muito contente pois iria se sentir muito edificado lendo meus textos, e não entediado, como deve estar se sentindo agora (isso se você já não parou de lê-lo à menção de "estagirita").
Pois bem, essa é a crise em que me encontro. Não gostaria de fazer aqui promessas vãs, mas já as fazendo...eu prometo escrever muito bonito da próxima vez que você ler meus textos!
Por fim, gostaria de mandar uma mensagem edificante aos meus amigos que começam a faculdade agora: embora estejamos separados, estaremos unidos! ...Certo, não foi edificante, mas quero que vocês saibam que estarei sempre pensando em vocês! ... Agora estou partindo para a emotividade, é melhor parar.
E ah! Já ia me esquecendo! Se você é um leitor de primeira viagem do lobodohomem, por obséquio, comece a ler dos posts mais antigos. Você vai ler textos afiados e melhores, talvez até goste deles (claro que isso se você gostar de descargas automáticas, por exemplo).
Fico por aqui, e torçamos para que o bloqueio criativo não seja permanente, para o bem de todos!
(Porque deixar de escrever, não deixarei; agora, basta saber a qualidade dos textos que virão!!)
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Falsidade Ideológica
Feb. 1st, 2007 | 12:22 am
Hoje consegui convencer cinco pessoas de que eu havia passado no IME.
Realmente, eu tenho futuro.
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Há exatamente um ano
Jan. 27th, 2007 | 10:35 pm
Nem sempre é possível reconstruir mentalmente o passado dessa maneira, mas hoje eu tive a felicidade de fazê-lo.
Há exatamente um ano, 27 de Janeiro de 2006, eu fui a um restaurante com dois amigos. Nós comemorávamos (ou lamentávamos?) o início do ano letivo. Era um evento que merecia ser comemorado, afinal, 2006 seria o ano de nossas vidas; o ano em que passaríamos por inúmeras provações aguardando uma aprovação; o ano em que o futuro, o curso de nossas vidas, seria resumido em uma única palavra: vestibular.
Não estou dramatizando, pois se você levou ou levará essa etapa da vida tão a sério quanto eu e meus amigos levamos, você compreende ou compreenderá que a busca por uma vaga na faculdade resulta, na verdade, numa busca pelo eu.
Afinal, éramos uma massa uniforme de estudantes que estava ali não por escolha própria, mas sim por convenção e obrigação. Assim, a definição do curso superior e a luta por ele representava para nós o princípio da formação de nossa identidade, como forma de expressão de nossos desejos.
Tendo em vista esse cenário, comemorávamos e temíamos o que se apresentaria a nós dali a alguns meses.
É claro que, não sei quanto a eles, mas eu desejava para mim um caminho suave. Eu tinha um plano cujos traços eram tão retilíneos e tudo se encaixava tão perfeitamente que se diria impossível de não se concretizar; para mim, era uma certeza tão absoluta quanto a lei da gravidade ou a morte, e naquela época eu até, talvez, diria "Ou isso ou a morte!". É claro que o curso das coisas provou que eu estava errada e esfregou na minha cara minha ingenuidade. Mas convenhamos, será que fiz muito mal em desejar a mim o melhor?
Não achava que meu sonho era apenas um sonho, eu tinha fatos claros e eu, acima de tudo, acreditava! Eu acreditava!
Diante disso, você deve estar imaginando o fim amargurado desse meu sonho e já pensando que, realmente, sonhos são para os tolos. Porém, eu absolutamente afirmo o contrário. Cultive seu sonho, seu sonho será a única certeza de que você disporá durante os desafios que você enfrentará, independente de você prestar um vestibular. Lamento, Fernando Pessoa, mas navegar não é exatamente preciso; é preciso primeiro sonhar, para depois poder navegar.
Bem, agora que você conheceu meu eloqüente discurso sobre os sonhos, você se pergunta o que deu errado para eu ter me transformado numa pessoa tão descrente e um pouco amargurada. Pois eu lhe digo: não foi a descrença no sonho, mas sim a descrença na instituição.
A parte do meu plano que ruiu foi a parte que dizia respeito à instituição escolar.
Eu sou uma pessoa que acredita no absoluto cumprimento de um acordo. Assim, quando alguém ou algo se compromete a prover alguma coisa, esse alguém ou algo o faz sem a mínima hesitação. Pode me chamar de extremista, mas eu acredito que as palavras são de ferro.
Assim, você pode imaginar o tamanho da minha decepção ao ver apostilas não terminadas, aulas não dadas, alunos desordeiros (sendo que eu acabei me unindo a eles) e professores desinteressados, salvo alguns heróis. Meu terceiro ano de Ensino Médio foi um absurdo dadaísta.
Não entrarei em detalhes sobre esse holocausto, apenas direi-lhe uma outra informação preciosa.
Você está sozinho. Se você tiver a felicidade de ter uma família tão positivamente presente como eu tive, ou quem sabe um amigo, sua solidão será atenuada, mas não extinta. Acredite, você estará sozinho quando começar a duvidar de si. Mas também estará sozinho quando superar seus obstáculos e atingir seus objetivos. Seja na alegria ou na tristeza, no fim do dia, você só poderá contar com si. Quando você tomar isso como verdade, perceberá que será capaz de tudo (mesmo que não seja) e o meio externo começará a agir em seu favor. Eu posso parecer psicologia de auto-ajuda barata, mas o que lhe digo são minhas impressões verdadeiras e as lições mais valiosas que aprendi em 2006.
E digo mais, uma das coisas mais morbidamente reconfortantes em se ter um objetivo é ter a certeza de que você terá êxito ou não terá; nada mais do que isso, nada menos do que isso, simples assim.
Eu não tive êxito em meu plano inicial; tive de seguir um plano secundário, o que nunca antes me acontecera. Isso me incomodou muito, e ainda me incomoda. É uma sensação desconfortável ter de deixar minha posição de "ela sempre ganha todas" para experimentar a realidade.
Essa minha nova posição, essa de "tive que seguir meu plano B" (o que é também outra dica valiosa: sempre tenha um plano B), tirou de mim todo o sabor da vitória em ter conquistado não uma, mas três vagas em faculdades diferentes.
Passei em três vestibulares, não comemorei de forma totalmente sincera nenhum deles.
Vou para a universidade, mas não tenho amor pela instituição. Apenas vou.
Fico muito desapontada por não poder saborear honestamente essa etapa que passa, pois eu sonhava, durante todos os dias de 2006, o dia em que eu seria aprovada no vestibular. E a festa que eu faria! Eu tinha cada detalhe meticulosamente planejado: como eu gritaria, com quem eu celebraria, o que eu diria. Apenas em pensar na emoção que seria, eu chorava. E quando esse dia chegou, só o que eu sentia era um torpor, e muito me admirava a reação alegre e contente dos meus familiares e amigos.
Assim, aí vem mais uma informação valiosa.
Não acredite na instituição, pois quando a estrutura ruir (e ela irá), você não ficará sob seus escombros. Se tiver de amar, ame a si. Se tiver de acreditar, acredite em si.
E assim foi basicamente o ano de 2006, a esperança eufórica inicial desse encontro no restaurante foi pouco a pouco desgastando-se até dar lugar à descrença de escárnio.
Bem, agora vem a grande questão. O que aconteceu exatamente um ano depois desse encontro no restaurante?
Outro encontro. Dessa vez para comemorar a entrada de outro amigo na universidade.
Afinal, pelo bem ou pelo mal, dizemos adeus ao vestibular.
E a você, que está apenas começando a conhecê-lo, já adianto: a jornada é sempre mais importante do que seu começo ou seu fim.
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Maternidade me caiu bem ontem à noite
Jan. 25th, 2007 | 04:07 pm
Na noite passada, sonhei que tinha dado à luz.
Foi um sonho bem agradável, e irônico também, pois uma gravidez verdadeira nessa época da minha vida representaria o caos, a perdição, o fim.
Eu teria pena do meu filho, até escreveria uma carta a ele dizendo: "A culpa é minha, filho! A culpa é toda minha! Perdoe, ou não, sua mãe por ter arruinado para sempre sua vida ao tê-lo feito nascer!".
Porém, curiosamente, meu sonho foi desprovido de todo esse sentimento negativo que carrego.
Ele foi bonito em todos os detalhes; sem as desfigurações grotescas, nem as quebras na seqüencia, que são características dos sonhos.
Há tempos eu não tinha um sonho tão agradável, mesmo sendo o tema o que era. A trajetória ao longo da descoberta da gravidez até o nascimento de um menino foi extraordinária, não pela experiência, mas sim pela ausência dela. O sonho não seguiu nenhuma das leis da natureza nem da realidade; na verdade, a falta dessa realidade é que fez o sonho ser tão bonito. Foi como se eu pintasse um quadro impressionista não com meu modo de sentir e ver a maternidade, mas sim com o modo que a maternidade deveria ser vista e sentida. E assim foi meu sonho: amor, inocência e um tanto de alienação.
Inclusive a descoberta do pai (pois você já deve estar salivando de curiosidade para saber quem era, e como eu não sou nenhum dragão-de-comodo, o rebento haveria de ter um pai!) foi algo reconfortante, não propriamente pela pessoa, mas sim pela amizade que eu tenho com essa pessoa, e o amor fraternal que tenho por ela.
Essa "experiência" de maternidade não foi algo que mudasse minha visão sobre gravidez, pois hoje escreveria a carta do mesmo modo que escreveria ontem, mas ao menos foi uma experiência bonita, quase angelical, e que me trouxe conforto nesses dias de dúvida.
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Diálogo durante o jantar
Jan. 17th, 2007 | 01:50 am
Eu: "É?"
Ela: "Elas queriam saber se você costurava."
Eu: "E você contou que eu fiz aquele curso de corte e costura?"
Ela: "Não, na verdade eu falei 'Sabe o que é, ela tem preguiça...' ..."
Eu: "Como assim você não contou?! Tudo bem que eu não levei a sério, mas eu fazia toda noite! De noite! E fiz antes que todas começassem essa moda de fazer costura!"
Ela: "...Eu disse que você não tinha tempo também, que você tinha entrado na faculdade. E elas me perguntavam o que você ia fazer..."
Eu: "E você disse que eu vou fazer Medicina Nuclear, né? No ITA!"
Ela: Não...eu disse que você vai fazer Direito, na PUC. E mais, não tem esse curso no ITA!"
Eu: "Eu sei, mas elas não sabem. E mais, você podia ter me valorizado um pouco mais, né! Tenha dó, contar que eu vou fazer Direito..."
Ela: "Ai Sílvia, não desmerece assim! Olha como a mamãe ficou triste agora!"
Eu: "Ah, mas não foi ela que suou pra entrar esse ano, né!! E eu desmereço sim, poxa, você tem que me pintar como uma pessoa interessante!"
Ela: "Tá bom, a primeira coisa que eu vou contar pra Ivani amanhã vai ser que você fez curso de corte e costura."
Eu: "Isso aí. E da próxima vez que alguém perguntar, já sabe, eu faço Medicina Nuclear no ITA. Ah, e se alguém perguntar do porquê eu andar sumida, diz que eu faço Direito mesmo...Em Harvard."